Ygor Lucas Gomes da Costa, Arnédio Oliveira, Maria Fernanda Pelizzon Garcia e Alessandro Azzoni | Foto: Maíra Pompeu / ACSP
Desde 1943, quando o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) passou a medir o índice pluviométrico, a cidade de São Paulo nunca havia registrado tanta chuva no mês de setembro: em apenas duas semanas, foram 253,8 milímetros acumulados (Mirante de Santana). Ou cerca de três vezes mais que o esperado para todo o mês.
E foi nesse cenário simbólico que a Associação Comercial de São Paulo (ACSP) promoveu, nesta terça-feira (16), reunião do Conselho de Política Urbana e Meio Ambiente (CPMU) para debater os limites do desenvolvimento sustentável diante da emergência climática.
Durante o encontro, a palestrante Maria Fernanda Pelizzon Garcia, gerente do Departamento de Sustentabilidade da Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (CETESB), aproveitou para ressaltar que emergência climática deixou de ser tema pertencente apenas à agenda ambiental: “já afeta a cidade, a economia, o território!”

Alessandro Azzoni e Maria Fernanda Pelizzon Garcia | Foto: Edu Guimarães / ACSP
Pelizzon lembrou que, pelo terceiro ano consecutivo, o Relatório de Riscos Globais (Fórum Econômico Mundial) aponta que eventos climáticos extremos são o maior risco à economia global nos próximos dez anos. Somente eventos extremos devem custar US$ 1,2 trilhão por ano à economia mundial até 2050: “menos de um terço desse risco está hoje protegido por algum tipo de seguro”, alerta a gerente.
Corrida contra o (mau) tempo
A especialista defendeu que o caminho para mitigar tais riscos passa por uma mudança de estratégia: empresas e cidades têm de adotar uma postura menos reativa ao desastre e mais preventiva, levando em conta mais predição de dados e não somente histórico pluvial.
Um exemplo de adaptação em curso em São Paulo foi apresentado por Ygor Lucas Gomes da Costa. Segundo o subprefeito de Pinheiros, a região ampliou de 110 para 124 o número de parques na atual gestão, além de instalar 24 jardins de chuva em dez meses, medidas que têm ajudado a conter o impacto das chuvas intensas registradas recentemente: “A gente tem sentido uma diferença muito grande na permeabilidade do solo”.

Ygor Lucas Gomes da Costa | Foto: Edu Guimarães / ACSP
A integração entre planejamento urbano e climático também foi tema de intervenção de Alessandro Bender, coordenador da Secretaria Executiva de Mudanças Climáticas (SECLIMA) da Prefeitura de São Paulo, que citou um mapeamento em curso de cerca de sessenta planos municipais para entender como a variável climática está sendo tratada em cada um deles.
Ao encerrar os trabalhos, Alessandro Azzoni, coordenador do CPMU, indicou que o ponto de inflexão na busca pela sustentabilidade passa pelas atuações pública e privada: “É este equilíbrio que sustenta decisões efetivas”, finalizou.
Sobre a ACSP
Fundada em 1894, a Associação Comercial de São Paulo (ACSP) é a maior associação empresarial do Brasil, com 132 anos de história e mais de 15 mil associados. Sob a presidência de Alfredo Cotait Neto, maior liderança do associativismo empresarial brasileiro, a entidade é a principal voz do empreendedor nacional na defesa da livre iniciativa.
A ACSP tem protagonismo direto na construção do marco legal do empreendedorismo no país: foram criados ou impulsionados pela ACSP o Estatuto da Micro e Pequena Empresa, o Simples Nacional, o Microempreendedor Individual (MEI), a Lei da Liberdade Econômica, o Impostômetro e, em parceria com a CACB, o Gasto Brasil.
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