Daniel Azulay e a Turma do Lambe-Lambe: O universo que ensinou uma geração a desenhar e sonhar

Antes da explosão dos programas infantis dos anos 1980, um artista de fala tranquila, roupas coloridas e enorme talento conquistava crianças em todo o Brasil com lápis, papel e muita imaginação. Era Daniel Azulay, criador da inesquecível Turma do Lambe-Lambe, um fenômeno que marcou a infância de milhões de brasileiros.

Criada em 1975, a Turma do Lambe-Lambe nasceu nos quadrinhos, mas ganhou projeção nacional a partir de 1976, quando Azulay levou seus personagens para a televisão. O programa passou pela TV Educativa e mais tarde pela Rede Bandeirantes, permanecendo no ar por cerca de uma década. Durante esse período, tornou-se uma das atrações infantis mais queridas do país.

O grande diferencial estava na proposta. Enquanto muitos programas apostavam apenas no entretenimento, Daniel Azulay transformava a criatividade em protagonista. Ele ensinava crianças a desenhar, fazer dobraduras, criar brinquedos com sucata e enxergar a arte como uma ferramenta de descoberta. O próprio apresentador definia a atração como “educativa sem ser didática”.

A turma era formada por personagens carismáticos que habitavam o universo de Lambelândia. Entre os mais conhecidos estavam Pita, Piparote, Ritinha, Damiana, a vaquinha Gilda, a galinha Xicória, o cientista Professor Pirajá e o palhaço Tristinho. Nas histórias, amizade, aventuras e aprendizado caminhavam lado a lado.

O sucesso foi tão grande que ultrapassou a televisão. A Turma do Lambe-Lambe ganhou revistas em quadrinhos, discos, álbuns e diversos produtos licenciados. No auge da popularidade, os personagens estampavam desde lancheiras até materiais educativos, consolidando-se como uma das marcas infantis mais fortes da época.

Mas talvez o maior legado de Daniel Azulay tenha sido outro. Muito antes de temas como reciclagem e sustentabilidade se tornarem comuns nas escolas, ele já incentivava as crianças a reaproveitar materiais e transformar objetos simples em brinquedos e obras de arte. Sua influência ajudou a despertar vocações artísticas e a estimular a criatividade de uma geração inteira.

Daniel Azulay faleceu em 2020, aos 72 anos, mas sua obra continua viva na memória afetiva de quem cresceu assistindo aos seus programas. Para muitos brasileiros, ele não foi apenas um apresentador infantil. Foi o professor que mostrou que um lápis, uma folha em branco e um pouco de imaginação eram suficientes para criar mundos inteiros.

Hoje, décadas depois da estreia da Turma do Lambe-Lambe, o bordão “Algodão doce pra vocês!” ainda desperta lembranças de uma época em que aprender e brincar pareciam exatamente a mesma coisa.

Por: Albim de Souza

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