1º Simulado de Múltiplas Vítimas e Produto Perigoso mobiliza forças de segurança de Barueri e do Estado

A manhã do dia 26 de agosto foi repleta de atividades, mobilizando mobilizou as forças de segurança de Barueri, como Secretaria de Mobilidade Urbana (Semurb) e Defesa Civil; órgãos do Estado de São Paulo, entre eles Polícia Militar Rodoviária, Corpo de Bombeiros e Cetesb; empresas concessionárias, como Ecovias Castello Raposo e Terrafértil; e um órgão regulador, a Artesp (Agência Reguladora de Transporte do Estado de São Paulo). O motivo foi a simulação de um gravíssimo acidente de trânsito no km 25,5 da Rodovia Castello Branco (SP-280), envolvendo uma motocicleta com dois ocupantes, um veículo de passeio com quatro passageiros, um micro-ônibus com cinco vítimas e um caminhão com um motorista.  

José Lúcio da Silva, diretor de Relações Industriais da Ambipar, empresa de gestão ambiental, foi o orador do evento e passou a palavra aos representantes dos órgãos envolvidos na realização do simulado. Na simulação, houve o óbito da passageira que estava na garupa da motocicleta. Ela foi deslocada para uma lona preta, enquanto o piloto, em estado grave, foi atendido em uma lona vermelha.  

No automóvel, um passageiro ficou em estado grave e os outros três sofreram ferimentos leves, sendo atendidos em uma lona amarela, assim como três passageiros do micro-ônibus. O motorista do caminhão ficou ileso.  

Saiba mais 

As 12 vítimas foram representadas por atores da Companhia Sopa da Comédia, de São Bernardo do Campo. Eles estavam muito bem caracterizados, com maquiagem que simulava ferimentos graves, além de roupas e calçados avariados. Durante toda a simulação, clamavam por socorro mais rápido para si mesmos e para parentes e amigos — situação muito comum em acidentes dessa magnitude.  

O pior de tudo, entretanto, foi o tombamento da carga do caminhão na pista: uma grande quantidade de cianeto de sódio (NaCN), composto químico utilizado por companhias de mineração na extração de ouro e de terras raras, grupo de elementos químicos empregados na fabricação de produtos de alta tecnologia.  

Esse produto é altamente tóxico e pode ser letal por ingestão, contato com a pele ou inalação. Ele impede a respiração celular e provoca rápida asfixia. Seu combate é complexo, pois exige o uso de EPI (equipamento de proteção individual) completo, com equipamento de respiração autônoma.  

É necessária a rápida interdição do local do acidente e de seus arredores, além da evacuação de escolas e outros locais de grande concentração humana. Também é fundamental observar fatores ambientais, como o vento, que pode provocar a dispersão do produto e intoxicar pessoas nas proximidades, e a presença de água ou outros líquidos, que podem favorecer a formação de cianeto de hidrogênio (HCN), gás incolor, ainda mais tóxico e volátil.  

Também se faz necessária a utilização de serragem — encontrada em serrarias e marcenarias — e de mantas absorventes para conter vazamentos de combustíveis dos veículos envolvidos.  

Atuação das equipes no simulado 

A Defesa Civil de Barueri, que enviou duas ambulâncias para auxiliar no resgate das vítimas, diferentemente de outras corporações, também atua no APH (atendimento pré-hospitalar), o que agiliza o atendimento geral da ocorrência. O pós-atendimento é realizado pela Polícia Científica, órgão da Polícia Civil de São Paulo.  

Durante o simulado, ficou claro que a preservação do local do acidente é fundamental para determinar o agente causador da ocorrência. A alteração de algo que possa parecer inexpressivo, como um calçado ou um pedaço de veículo, pode interferir no resultado da perícia.  

Os policiais compareceram com duas viaturas e um drone de última geração. Mesmo já tendo sido constatado o óbito, os peritos retiraram a manta térmica e avaliaram a existência de possíveis fraturas no corpo, especialmente no crânio, na bacia, na coluna cervical e nos membros inferiores e superiores.  

Ao final do evento, foi realizado um debriefing, reunião destinada à análise da ocorrência, na qual todos os representantes puderam apresentar suas opiniões. “Um simulado não tem como objetivo apenas executar procedimentos. Seu principal valor está na possibilidade de avaliar a resposta, reconhecer os acertos, identificar dificuldades e transformar as experiências observadas em oportunidades de melhoria. O objetivo desta etapa não é individualizar eventuais falhas, mas produzir aprendizado e contribuir para o aperfeiçoamento contínuo dos protocolos e da integração das instituições”, finalizou o locutor. 

Da redação 
Crédito das fotos:  
Aéreas: Cauber Bauer/Secom Barueri 
Terrestres: Jorge Ferreira/Secom Barueri 

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