A ocorrência policial de violência doméstica que mobilizou a Polícia Militar e a Polícia Civil na última semana em Mairinque, teve continuidade, o homem preso em flagrante acusado de violência psicológica, agressão, cárcere, abusos e humilhação, passou por Audiência de Custódia no Fórum de Sorocaba foi solto e vai responder o processo em liberdade com diversas medidas restritivas.
Após passar a noite preso em uma carceragem na Delegacia de Mairinque, no dia seguinte, ao ser levado para a audiência de Custódia no Fórum de Sorocaba, acompanhando por um advogado, o réu foi posto em em liberdade, por decisão do juiz que entendeu que o preso deve responder em liberdade com medidas restritivas.
Dentre as medidas estão a proibição de se ausentar da comarca, proibição de qualquer contato com a vítima e comparecer a todos os atos processuais.
A investigação policial também continua. A família da jovem informou que deve registrar novos boletim de ocorrência sobre acusações divulgadas nas redes sociais contra a jovem onde o nome dela foi citado a culpando pelo ocorrido.
O caso aconteceu na quarta-feira, 05, e terminou com a prisão em flagrante pelo crime de violência psicológica contra a mulher, previsto no artigo 147-B do Código Penal, no contexto da Lei Maria da Penha.
De acordo com o Boletim de Ocorrência, tudo começou quando policiais militares foram acionados via COPOM para atender uma denúncia onde havia uma informação de que uma jovem e uma bebê de quatro meses estavam sendo mantidas em cárcere dentro de uma residência na Vila Barreto.
Diante da situação, uma equipe da PM rapidamente se dirigiu até a residência na Vila Barreto e ao chegar ao local, encontrou a mulher bastante abalada emocionalmente.
Segundo o registro policial, o acusado e a vítima discutiam, e a jovem informou aos policiais que pretendia deixar a casa levando a filha do casal, uma bebê de apenas quatro meses de idade, mas teria sido impedida pelo companheiro.
Já o homem afirmou aos policiais que a criança não sairia residência. Ainda conforme o BO, ele permaneceu irredutível quanto à permanência da bebê com ele. Diante da situação, os policiais esclareceram que a criança é lactente e necessita dos cuidados maternos. Como houve o posicionamento, negativo, o homem foi levado preso para a delegacia.
A mãe e a bebê também foram conduzidas à Delegacia de Polícia de Mairinque.
No plantão polícial, a vítima apresentou um relato mais amplo sobre o relacionamento e o que vinha acontecendo.
O delegado pediu que ela fosse ouvida em separado por uma policial mulher da delegacia.
A jovem prestou um depoimento que demorou aproximadamente 2 horas.
Segundo ela, o casal mantinha um relacionamento desde 2024 e, desde o início, o companheiro demonstrava comportamento possessivo, excessivamente ciumento e manipulador. Ela afirmou ainda que ele frequentemente pedia dinheiro, alegava dificuldades financeiras e, ao longo da convivência, passou a praticar humilhações, ofensas e ameaças, inclusive durante a gravidez, chegando a questionar a paternidade da filha.
Ainda conforme o depoimento da mulher, ela sofreu agressões físicas em outras ocasiões, foi submetida a violência psicológica contínua, e recebia ameaças de perder a guarda da filha.
Também relatou que o acusado dizia possuir influência junto a policiais e integrantes do Conselho Tutelar, o que aumentava seu temor.
A vítima afirmou ainda que, após passarem a morar juntos, descobriu supostas traições e percebeu que seus dados pessoais teriam sido utilizados por ele para abertura de empresa, movimentação de contas bancárias e transferência de um veículo dele para seu nome, fatos que, segundo o boletim, podem caracterizar, em tese, violência patrimonial, situação essa prossegue sob investigação.
O investigado tem diversos processos em andamento na justiça com registros de boletins de ocorrência de acusação de fake news, um deles já condenado e obrigado a pagar R$ 23 mil.
A jovem de 22 anos declarou que, ao decidir deixar a residência com a filha, vinha sendo impedida pelo companheiro.
Ainda segundo seu relato, ele desligou o acesso à internet (Wi-Fi), dificultando que pedisse ajuda. A vítima informou que somente conseguiu acionar uma tia, que então providenciou o acionamento da Polícia Militar que foi ao local e o prendeu nesta quarta-feira.
Ela relatou tudo o que vinha sofrendo já faz algum tempo.
Ao final do depoimento, a mulher afirmou temer o investigado, manifestou interesse em sua responsabilização criminal e requereu a concessão de medidas protetivas de urgência previstas na Lei Maria da Penha.
Já a outra parte, o acusado, Igor Juan, dono de um portal na internet em Mairinque, por sua vez, exerceu seu direito de prestar declarações e negou ter mantido a companheira e a filha em cárcere privado.
Segundo sua versão, a mulher poderia deixar a residência, mas a criança permaneceria com ele.
Após ouvir as partes e analisar os elementos reunidos durante a ocorrência e no contexto do tempo em que ela vinha sofrendo como vítima no relacionamento e com profundo abalo psicológico e emocional, o delegado responsável pelo caso concluiu que havia indícios suficientes para caracterizar situação de flagrante de violência doméstica no quesito Maria da Penha.
Conforme a decisão da autoridade policial, a vítima apresentava evidente abalo emocional e, em tese, foi submetida a um contexto de controle, constrangimento e privação de sua liberdade de autodeterminação, cunstâncias compatíveis com o crime de violência psicológica contra a mulher.
Diante disso, o delegado determinou a lavratura do Auto de Prisão em Flagrante, indiciando o investigado pelo crime previsto no artigo 147-B do Código Penal, combinado com a Lei Maria da Penha.
A vítima foi formalmente orientada sobre todos os direitos assegurados pela Lei Maria da Penha.
A ela foi requerida medida protetiva que o impede de se aproximar ou manter qualquer contato.
Ela foi levada para casa de um familiar com a criança com a criança.
Como saiu da residência, a bebê está sem roupas, estão buscando vestimentas para criança que ficaram na residência, uma vez que foi orientada a não retornar.
A investigação prossegue e poderá reunir novos elementos ao longo do inquérito policial
Matéria e foto: São Roque Notícias










