É possível humanizar o atendimento em saúde com o uso da Inteligência Artificial? E tornar mais simples e interativo o controle do diabetes em crianças? Para os estudantes da Fundação Instituto de Educação de Barueri (FiebTech), é possível — e eles foram além: transformaram essas possibilidades em projetos que conquistaram o 1º e o 2º lugares no CIA Saúde UFMG 2026, competição voltada à criação de tecnologias para desafios reais da área da saúde.
Os representantes dos Institutos Técnicos de Barueri (ITBs) conquistaram as duas primeiras colocações na disputa, cuja etapa final foi realizada na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Ao todo, 30 equipes participaram da competição, sendo que 11 chegaram à fase final.
Os trabalhos foram avaliados por uma banca técnica formada por especialistas em Inteligência Artificial, saúde e inovação, considerando critérios como criatividade, aplicabilidade, uso da tecnologia, clareza da apresentação e viabilidade técnica e social. A competição contou com o apoio da empresa Unimed.
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Tecnologia para uma experiência humanizada
O primeiro lugar ficou com Miguel Alves da Silva, de 18 anos; Felipe Rodrigues da Silva, de 18; e Linnyck Gabriel da Silva Ferreira, de 19, estudantes do curso técnico de Manutenção e Suporte em Informática da FiebTech.
O trio desenvolveu o NestCare, um portal voltado a pacientes e acompanhantes, com a proposta de tornar mais compreensível a jornada de quem está em atendimento. A plataforma permite acompanhar etapas como recepção e abertura de ficha, classificação de risco, consulta médica, exames, medicação, reavaliação e orientação de alta.
Uma das funcionalidades utiliza Inteligência Artificial para explicar termos médicos, exames e medicamentos em linguagem mais simples. O sistema também reúne conteúdos sobre saúde e bem-estar e conta com um modo acompanhante.
A divisão das tarefas ocorreu de acordo com as habilidades de cada integrante: Miguel ficou responsável pelo planejamento, Felipe pelo design gráfico e Linnyck pela criação do site.
Para Miguel, o desempenho durante a apresentação foi resultado da preparação da equipe.
“A gente se preparou antes. Quando chegamos e vimos os grupos se apresentando e acompanhamos os feedbacks, começamos a ficar mais confiantes porque sabíamos que o nosso projeto estava bom. Quando começamos a apresentar, entramos em estado de flow e fizemos uma ótima apresentação.”
A proposta busca reduzir a ansiedade de quem aguarda atendimento, oferecendo informações sobre o andamento da jornada sem que o paciente precise acompanhar constantemente os painéis de chamada.
Um aplicativo para crianças com diabetes
O segundo lugar ficou com Rafael Eduardo Almeida dos Santos, estudante do curso técnico de
Programação de Jogos Digitais do ITB Aldeia da Serra. A partir de uma pesquisa sobre os desafios enfrentados por crianças com diabetes tipo 1 no ambiente escolar, ele criou o Neurolink.
A ferramenta foi pensada para aproximar criança, família e escola no acompanhamento da condição. Pelo aplicativo, a criança pode registrar o que comeu e como está se sentindo, enquanto professores podem inserir informações e observar sinais que indiquem que ela não está bem, como palidez, desânimo ou irritabilidade repentina.
O sistema reúne informações para acompanhamento, como o registro da última glicemia, e permite acionar os responsáveis. A família, por sua vez, pode acompanhar as informações enquanto a criança está na escola.
A gamificação foi utilizada para tornar a ferramenta mais atrativa para o público infantil.
“Fiz uma pesquisa e percebi que um dos principais problemas das crianças com diabetes era a adaptação na escola e a falta de tranquilidade que as famílias têm quando as crianças estão lá. Para ficar mais fácil e interativo para a criança querer entrar no aplicativo, por que não gamificar? Coloquei o sistema de pontuação e imagens mais interativas para chamar a atenção.”
A experiência também teve um significado pessoal para o estudante. Morador do Jardim Mutinga, Rafael conta que a participação na competição representou a oportunidade de levar sua formação para um ambiente acadêmico de referência nacional.
“Sou do Jardim Mutinga e aí, numa noite, você está na periferia de Barueri e, na outra, está na maior universidade federal do Brasil. Para mim, foi muito gratificante estar lá representando a FiebTech e ter conquistado o prêmio.”
Professores lado a lado
Para viabilizar a viagem, familiares, professores e apoiadores organizaram uma vaquinha. Segundo Paulo Barcellos Sobrinho, coordenador do curso de Manutenção e Suporte em Informática, a meta foi alcançada em menos de três horas.
Ele destaca que a participação em competições também faz parte da trajetória dos estudantes da FiebTech. Os alunos já participaram do Start Engenharia de Telecomunicações, do Inatel, competição em que conquistaram o 2º lugar.
O professor Robson Rodrigues de Almeida, do curso de Manutenção e Suporte em Informática, acompanhou os jovens em Belo Horizonte e destacou a oportunidade de vê-los apresentar as soluções diante de especialistas de diferentes áreas.
“Eu me locomovi até Belo Horizonte e pude dar um apoio para eles, que representam um trabalho de anos. Foi um privilégio estar com eles. Logo percebi que era um projeto excelente e de grande potencial. Também foi uma experiência muito especial como professor e doutor estar novamente em um ambiente acadêmico e ver uma banca formada por professores de medicina e computação diante de estudantes tão jovens apresentando um projeto brilhante.”
A mãe de Rafael, Cátia de Almeida Caetano, também acompanhou de perto o percurso do filho e falou sobre a conquista.
“Fiquei muito orgulhosa e feliz. Sou mãe solo, a gente corre atrás, se esforça. Eu disse para ele não desistir. Ele persistiu e chegou lá. Estou muito orgulhosa.”
A enfermeira Leda Rodrigues da Silva, mãe de Felipe, ressaltou a satisfação ao conhecer a proposta desenvolvida pelo filho.
“Eu sou da área da saúde, sou enfermeira, e quando ele me apresentou pensei: que ideia maravilhosa! Fiquei feliz e minha família também. É gratificante ver que meu filho está seguindo o caminho certo.”
Tecnologia e saúde
Depois da premiação, a Superintendência da FiebTech convidou os estudantes para apresentar as soluções à Secretaria de Saúde de Barueri. A iniciativa permite que profissionais da área conheçam as propostas e discutam possibilidades relacionadas ao uso de tecnologia no atendimento e no acompanhamento de pacientes.
Para Vivian Romanholi Coria, médica geriatra e diretora técnica do Hospital de Retaguarda e da linha de cuidados paliativos do município, a aproximação entre as áreas pode abrir novas possibilidades.
“Temos que usar a Inteligência Artificial a favor do paciente. Esses meninos, com essa mente tecnológica e esse conhecimento, podem trazer soluções brilhantes para muitas questões que enfrentamos no dia a dia.”
A apresentação dos trabalhos não significa a adoção das plataformas pela rede municipal. Neste momento, a iniciativa representa uma oportunidade para conhecer as soluções desenvolvidas pelos estudantes e aproximar a formação técnica das demandas encontradas na área da saúde.
Formação técnica em Barueri
Os estudantes premiados são formados pelos Institutos Técnicos de Barueri (ITBs), mantidos pela Fundação Instituto de Educação de Barueri (FiebTech), autarquia municipal de ensino que oferece formação técnica em diferentes áreas.
As unidades reúnem cursos voltados à preparação dos estudantes para o mercado de trabalho e para o desenvolvimento de conhecimentos aplicados. Saiba mais clicando AQUI.
Da redação
Crédito da foto: Tatiane Zechetto/Secom Barueri










